quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Neurotransmissores e o sistema nervoso

Os medicamentos que atuam no sistema nervoso central (SNC) têm valor inestimável, seja por alívio de dores ou tratamento de transtornos como a depressão ou esquizofrenia. O sistema nervoso, junto do sistema endócrino, é responsável pela função de controle do organismo, aumento ou diminuindo a atividades fisiológica na medida da necessidade. É composto por células chamadas neurônios, de onde saem prolongamentos chamados dentritos e axônios. Esses prolongamentos são como fios de energia, que levam um impulso nervoso da visão, por exemplo, fazendo com que se torne possível enxergar uma imagem e do mesmo modo no caminho inverso. Por exemplo, conduzindo a ordem para que um músculo se contraia.

Para que um impulso nervoso passe de um neurônio ao outro, pelo espaço existente entre eles, há a liberação de substâncias químicas que estimulam ou inibem o neurônio seguinte. São os chamados neurotransmissores. Têm um papel fundamental no nosso organismo, conduzindo todas as informações relacionadas ao corpo. Fazem parte desse grupo a dopamina, adrenalina, endorfina, serotonina, GABA, dentre muitos outros.

Esses mediadores químicos precisam ser secretados em quantidades corretas. O excesso ou carência podem provocar funções inadequadas. Dentro dessa lógica, possivelmente é a falta de dopamina, um desses mediadores químicos, o responsável pelo Parkinson, enquanto o excesso pode provocar a esquizofrenia. Isso é possível porque um mesmo mediador pode atuar em centros nervosos diferentes, sendo responsáveis por funções distintas.

O mal de Parkinson é caracterizado por uma concentração baixa de dopamina em algumas regiões do cérebro, o que leva a ocorrência dos conhecidos tremores. O tratamento pode ser feito por medicamentos chamados dopaminérgicos, ou seja, aumentam a dopamina no organismo, fazendo com que o paciente retome o controle de sua atividade motora, dentre outras ações.

No tratamento da esquizofrenia, por outro lado, utiliza-se de medicamentos que diminuam o efeito da dopamina. Por isso, uma das reações adversas no tratamento desse transtorno psiquiátrico é o aparecimento dos sintomas semelhantes ao do Parkinson, pela carência do mediador químico.

A serotonina, outro mediador, está relacionada a regulação do humor, sono, apetite, atividade sexual, sensibilidade à dor, memória e aprendizagem. É um mediador químico envolvido principalmente na excitação de órgãos e na constrição de vasos sanguíneos. Algumas funções da serotonina incluem o estímulo dos batimentos cardíacos, o início do sono e a luta contra a depressão. Esse mediador químico atua em muitos  dos órgãos, sempre interagindo com receptores, que são moléculas localizadas nas células responsáveis por reconhecer a informação do mediador químico. Os medicamentos para depressão, como a fluoxetina, agem aumentando a disponibilidade de serotonina junto a esses receptores, o que leva à regulação de humor e bem-estar, em uma ação antidepressiva.

O ácido gama aminobutírico (GABA) atua como principal neurotransmissor inibitório, age em lugares variados.  Induz a inibição do sistema nervoso central (SNC), causando a sedação. Atua na regulação do sono, ansiedade e relaxamento. Os benzodiazepínicos, por exemplo, são substâncias que agem de forma semelhante ao GABA, se ligando aos receptores destes. Isto leva aos efeitos relaxantes e sedativos desta classe.

Pode-se observar, portanto, a complexidade de funcionamento do nosso sistema nervoso central, várias substâncias são responsáveis pelos controles de nossas emoções, ações e sentimentos. Sendo o conhecimento destas responsável pelos avanços e opções no tratamento de transtornos do SNC.

Marina Maria de Oliveira - aluna do 10º semestre do curso de Farmácia

Referências:

CUNHA, G.S; RIBEIRO, J.L.; OLIVEIRA, R.A. Níveis de Beta-Endorfina em Resposta ao Exercício e no Sobretreinamento. Arq. Bras. Endrocrinol. Metab., v.52, n.4, 2008.

COELHO, F.M.S et al. Benzodiazepínicos: uso clínico e perspectivas. Rev. Bras. Med., p.196 -200, 2006.

MORENO, Ricardo Alberto; MORENO, Doris Hupfeld; SOARES, Márcia Britto de Macedo. Psicofarmacologia de antidepressivos. Rev. Bras. Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 21, supl. 1, p. 24-40, 1999. 


SILVA, D.K; ANDRADE, F.M. Farmacogenética de inibidores seletivos de recaptação de serotonina: uma revisão. Neuropsychopharmacol.,  v.16, n.7, p.498-503, 2006.

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