quarta-feira, 13 de abril de 2016

Como funciona o tratamento da Diabetes Mellitus

A diabetes mellitus (DM) apresenta alta morbimortalidade, com grande perda na qualidade de vida. É uma das principais causas de mortalidade, cegueira, insuficiência renal, amputação dos membros inferiores e doença cardiovascular. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, após 15 anos de doença, 2% dos indivíduos acometidos estarão cegos e 10% terão deficiência visual grave.

O maior desafio para o controle da síndrome é manter a glicemia (nível de açúcar no sangue) dentro de parâmetros adequados. No Brasil, a prevenção e o controle da diabetes são ações prioritárias na atenção básica de saúde do SUS. Devido a essa gama de alterações do estilo de vida que são impostas às pessoas portadoras do DM, a adesão delas ao tratamento tem sido um grande desafio para serviços de saúde e para os profissionais dessa área.

O tratamento tem de ser multiprofissional, envolvendo mudanças de hábitos de vida e uso de medicamentos. A mudança no estilo de vida é um pilar importante, com uma reorganização de hábitos alimentares, modificado de acordo com as exigências e limitações impostas pela síndrome, associando com a prática de atividade física. Na diabetes tipo 1, a reposição de insulina é essencial. No caso da diabetes tipo 2, o tratamento conta com várias classes de medicamentos, podendo estar em esquema único ou associado. Dependendo da evolução da doença, a insulina exógena pode se tornar necessária.
As sulfoniluréias, biguanidas e acarbose mostraram-se efetivas na redução das complicações vasculares da DM ao longo do tempo, sugerindo que esses fármacos devem ser considerados como de primeira escolha para o início do tratamento medicamentoso em pacientes com DM2.

A metformina é o medicamento de escolha para a maioria dos pacientes com DM2 e pertence à classe das biguanidas. Estudo mostrou que a metformina é capaz de reduzir em 31% a incidência da diabetes, em 3 anos. É um fármaco derivado da guanidina, o composto ativo hipoglicemiante da planta Galega officinalis. A redução da glicemia deve-se, principalmente, por esse medicamento de origem vegetal provocar a inibição da gliconeogênese e da glicogenólise, além de aumentar a captação de glicose pelos músculos, provocando rápida redução da glicemia plasmática.

As sulfoniluréias são outra classe amplamente utilizada, sendo a glibencamida um dos mais conhecidos. Essa classe diminui a glicose tanto por estimulação da secreção de insulina, como pelo aumento da resposta à insulina pelos tecidos.

A acarbose age retardando a absorção intestinal dos carboidratos e, consequentemente, a entrada de glicose na corrente sanguínea, isso ajuda a controlar a glicemia. O uso da acarbose requer cuidados para evitar o abandono do uso do medicamento, em virtude de seus conhecidos efeitos colaterais no aparelho gastrintestinal, em especial, flatulência e diarreia. Outra nova classe de medicamentos, com resultados positivos até o momento, são os incretinomiméticos que estimulam a secreção de insulina tem sido promissora no tratamento. A diabetes é uma doença para qual a ciência ainda irá apresentar muitas respostas e avanços.

Marina Maria de Oliveira - Formada em 2015 pelo curso de Farmácia da UniSantos

Referências:

SANTOMAURO, A.C. et al. Metformina e AMPK: Um Antigo Fármaco e Uma Nova Enzima no Contexto da Síndrome Metabólica. Arq. Bras. Endrocrinol. Metab., v. 52, n. 1,  2008.

DAVIDSON, J.A.; PARENTE, E.B.; GROSS, J.L. Incretin Mimetics and Dipeptidyl Peptidase-4 Inhibitors: Innovative Treatment Therapies for Type 2 Diabetes. Arq Bras Endocrinol Metab., v.52, n. 6, 2008. 

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