segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Reações adversas graves


Os medicamentos, quando usados corretamente, são responsáveis por enormes benefícios. Por outro lado, as reações adversas também são muitas, mas, na maioria das vezes, não justificam o abandono do tratamento. Vive-se mais e melhor com as reações adversas do que sem o medicamento indicado. Em alguns casos mais graves pode ser necessário modificar a dose ou substituir o medicamento. Essas modificações sempre deverão ser feitas pelo médico que prescreveu o medicamento.

Mas algumas reações podem ser mais graves, inclusive provocando morte ou danos irreparáveis. Recentemente, a justiça brasileira condenou uma empresa de medicamentos a pagar uma indenização altíssima por uma grave reação ocorrida em 2007. Essa reação, denominada de Stevens-Johnson, ataca a pele e as mucosas, principalmente as oculares, levando a perda significativa da capacidade visual, como no caso brasileiro citado.

Stevens-Johnson é uma reação rara e ocorre em três entre cada milhão de pessoas, aproximadamente. Em metade dessas ocorrências, não há causa conhecida. Um quarto dos casos é provocado por reações a medicamentos e um quinto por infecção viral (herpes). Stevens-Johnson é fatal em 5% das ocorrências. Mais de 100 medicamentos estão associados a esta afecção, principalmente as sulfas, anticonvulsivantes, anti-inflamatórios e alopurinol, usado em gota.

A reação é provocada por hipersensibilidade, quando as células de defesa do nosso organismo reagem de forma desproporcional à agressão. Um primeiro ataque de nossas defesas contra o medicamento deposita-se na pele e nas mucosas. Esse primeiro produto estimula respostas mais intensas, mobilizando muitas células de defesa que começam a atacar o tecido onde está localizado. Esse ataque ocorre próximo de pequenos vasos, o que provoca pequenas manchas arroxeadas. Também pode haver bolhas nesses locais.

Inicia-se em até 72 horas após o uso da medicação com duração aproximada de duas a quatro semanas. O indivíduo apresenta febre e, apesar dos danos que pode provocar, acaba espontaneamente. O médico fará um diagnóstico baseado apenas nas informações e exame clínico, uma vez que não há testes laboratoriais que possam comprovar efetivamente. O diagnóstico precoce e a retirada do fármaco reduz a gravidade atingida.

O tratamento se assemelha aos que sofreram queimaduras, porém a diferença é a de que reação pode continuar aumentando. Caso você tenha tomado qualquer medicamento e tenham aparecido manchas, bolhas ou vermelhões procure um médico com urgência.


Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela UniSantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Dracena.

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