quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Hidratação da pele

A pele é um órgão que atua garantindo a integridade física e bioquímica do corpo, protegendo contra agressões mecânicas, químicas e microbiológicas. Além disso, mantém a temperatura corpórea constante e fornece informações sensoriais sobre o ambiente circundante e evita perda de água.

O fator de hidratação natural (FHN) é um componente importante para a manutenção deste equilíbrio. Ele é formado por um conjunto de estruturas higroscópicas, que interagem entre si, as quais retêm água e condiciona um aspecto normal para a pele. O FHN, no entanto, conta com o auxílio de um importante aliado, o complexo componente formado pelos lípides intercelulares que controlam a permeabilidade e o movimento intercelular da água. Tais estruturas gordurosas selam o FHN, mantendo o conteúdo hídrico entre as células. Se não há um equilíbrio, há um aumento de perda de água, resultando em xerose, isto é, pele seca.

Diversos fatores podem levar à pele seca, tornando necessário o uso dos hidratantes corporais. Climas frios e secos; a poluição ambiental; o hábito de banhos incorretos, como o uso excessivo de sabonete; e o próprio avançar da idade fazem com que a pele perca a capacidade de manter a hidratação. Além disso, doenças associadas, como desnutrição, insuficiência renal crônica, hipotireoidismo, dermatite atópica, psoríase, estresse, dentre outras, podem levar a desidratação da pele. O uso de medicamentos orais ou tópicos, como as estatinas para controle colesterol, litium, os retinóides orais e tópicos, também agravam a xerose.

Hidratante é um termo genérico que designa diferentes fórmulas. Sua principal função é a de proteção contra a desidratação, formando, com seus componentes, uma barreira que impede que a água já presente seja perdida para o meio externo. Além disso, com os avanços tecnológicos em formulações, conseguem exercer outras funções a depender de sua composição química. São divididos em classes, como os oclusivos, que retardam a evaporação e perda de água epidérmica. São exemplos dessa classe a vaselina e os óleos vegetais.

Outro grupo, os umectantes atuam atraindo e retendo a água do meio externo e das camadas mais profundas da pele, como exemplo temos a conhecida ureia. Há também os emolientes e os reparadores proteicos, sendo que estes últimos ajudam a reparar estruturas proteicas dérmicas danificadas ou estimular sua produção. Agem como hidratantes, pois assumem um papel osmótico, embebendo-se de água e retendo-a na epiderme e derme.

Tendo em vista o que foi dito acima, o uso de hidratantes não é uma necessidade meramente estética. O simples fato de sermos expostos continuamente a um ambiente poluído pode gerar uma pele danificada. É importante a consulta a um profissional da saúde, médico ou farmacêutico, para que receba as orientações corretas, do produto adequado para sua pele e o modo de uso.

Marina Maria de Oliveira –  10º semestre do curso de Farmácia

Referências:

COSTA, A. et al. Estudo clínico observacional de eficácia e segurança do uso de extratos de Imperata cylindrica e de Triticum vulgare. RBM, p.249-253, 2009.

MILAN, A. L. K. et al. Estudo da hidratação da pele por emulsões cosméticas para xerose e sua estabilidade por reologia. Rev. Bras. de Ciên. Farm., v. 43, 2007.

PIRES, M.C. et al. Estudo clínico multicêntrico para avaliação de segurança e eficácia clínica de um hidratante corporal à base de ceramidas, ômegas, glicerina, Imperata cilíndrica, erythritol e homarine. Surg Cosmet Dermatol., v.6, p.32-38, 2014.

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