segunda-feira, 22 de maio de 2017

Consequência do uso agudo de medicamentos para tratamento da enxaqueca

A enxaqueca, conhecida também como dor de cabeça, cefaleia ou migrânea, não possui mecanismos fisiopatológicos totalmente definidos, podendo se apresentar de maneira moderada ou severa, como uma pressão ou um caráter pulsátil na região lateral ou frontal da cabeça, com duração de 4 a 72 horas quando não ocorre tratamento, podendo ser associada a náuseas e vômitos devido a dor constante.

Podem ser adotadas metodologias não farmacológicas, como a alteração de estilo de vida, regulando o tempo de sono, a alimentação e a realização de atividades físicas para o tratamento e prevenção da enxaqueca. E também podem ser adotados métodos farmacológicos, utilizando-se de classes medicamentosas como analgésicos (opioides e não opioides), anti-inflamatórios e triptanos, com intuito de prevenção (profilaxia), tratamento agudo, ou crônico da enxaqueca/cefaleia.

Apesar de promoverem melhora do quadro de enxaqueca/cefaleia imediato, pode-se ocorrer a cefaleia-rebote, que é decorrente do uso excessivo ou incorreto do tratamento farmacológico. A classe medicamentosa mais presente em casos de cefaleia decorrente do uso de medicamentos é a de analgésicos e anti-inflamatórios de venda livre, como ácido acetilsalicílico (AAS), paracetamol, ibuprofeno, naproxeno e ácido talfenâmico.

Estudos comprovam que a utilização de analgésicos para o alivio da cefaleia por mais de 15 dias, já é capaz de promover um quadro de cefaleia crônica, podendo também evitar ou minimizar a ação dos tratamentos profiláticos. Além disso, comprova-se que o uso abusivo leva a diminuição de serotonina no sangue, substância química presente em nosso organismo, responsável por várias funções fisiológicas. Essa diminuição de serotonina ocasiona um quadro de hiperalgesia, sensibilidade excessiva à dor, que consequentemente irá levar a um quadro de cefaleia crônica.

Quando ocorre o diagnóstico de cefaleia decorrente do uso medicamentos, se faz necessária à desintoxicação medicamentosa, retirando-se de forma progressiva e programada a medicação. Esse procedimento reestabeleceria a função fisiológica normal do paciente, permitindo a realização de tratamento adequado, de acordo com o quadro clínico apresentado. O importante é limitar o uso excessivo de analgésicos.

Mayra Ivonete Wessling – 5º Semestre do curso de Farmácia

Referências Bibliográficas:

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